CDU perde quatro câmaras e volta ao pior resultado de sempre
A península de Setúbal mantém-se um irredutível bastião comunista, mas a CDU voltou ao pior resultado de sempre (28 câmaras), perdendo autarquias importantes, como Beja, ou onde os autarcas saíram do PCP, como Sines e Marinha Grande.
A CDU obtivera também 28 municípios em 2001, quando alcançou o pior resultado de sempre nas autárquicas, mas nas eleições seguintes, em 2005, conquistou mais quatro maiorias camarárias.
Nas eleições autárquicas de domingo, regressa ao número 28, ao perder sete câmaras (Aljustrel, Beja, Viana do Castelo, Vila Viçosa, Marinha Grande, Monforte e Sines) e conquistar três novos municípios (Alvito, Alpiarça e Crato), um resultado que o líder do PCP, Jerónimo de Sousa recusou interpretar como uma derrota.
O secretário-geral comunista sublinhou o reforço das maiorias na Península de Setúbal (Almada, Setúbal, Palmela, Alcochete, Moita, Seixal, Barreiro, Sesimbra e Santiago do Cacém), destacando que a CDU é a força maioritária na Área Metropolitana de Lisboa, facto que disse ser “único na Europa”.
Em Sines e na Marinha Grande, os conflitos que a CDU teve com os autarcas que elegera em 2005 custaram-lhe caro: no primeiro caso, o ex-comunista Manuel Coelho venceu as eleições como independente, e o candidato da CDU, Francisco Pacheco, não conseguiu mais que 14,94 por cento dos votos, ficando como terceira força política, depois do PS.
Na Marinha Grande, o autarca Barros Duarte foi afastado pelo PCP e substituído na presidência da Câmara por Alberto Cascalho, que perdeu as eleições para o PS, com 31,43 por cento contra 36,09 por cento.
Francisco Santos não conseguiu a recandidatura em Beja, uma perda pesada para a CDU, onde a coligação PCP/Verdes obteve, ainda assim, uma votação superior à de 2005 em 230 votos, o que motivou um desabafo de Jerónimo de Sousa – “no Alentejo temos de conseguir 50 por cento de votação para ganhar municípios” -, que falou ainda de “acordos informais” para concentrar os votos da direita no PS, de forma a combater a coligação PCP/Verdes.
Em Lisboa, onde pouco depois das 00:00 ainda não estava apurado o resultado final, a CDU deverá obter uma votação de “dois dígitos”, na ordem dos 10 ou 11 por cento, sem estar ainda confirmada a eleição do segundo vereador, que tinha no último mandato.
Ainda assim, na capital, onde “foi traçado um quadro de bipolarização”, a CDU “resistiu e resistiu muito bem”, ao contrário de “outras forças políticas concorrentes, que não resistiram a essa avassaladora onda”, numa alusão ao Bloco de Esquerda, que não conseguiu qualquer mandato na autarquia lisboeta.
A CDU, acrescentou Jerónimo de Sousa, “vai ser imprescindível para uma política de esquerda na cidade”.
JH.
Lusa/fim