Comboios: Equipa do IST apresenta alternativa à ligação ferroviária Sines-Grândola proposta pela REFER
Santiago do Cacém, Setúbal, 28 Out (Lusa) – Uma alternativa à ligação ferroviária de transporte de mercadorias Sines-Grândola, proposta pela REFER, é defendida por uma equipa do Instituto Superior Técnico, que considera possível causar “impactos ambientais muito menos gravosos” e reduzir “os custos da obra”.
“Seria conveniente estudar, como alternativa, uma solução de ligação Sines/Ermidas-Sado, através da Serra de Grândola/Cercal, a qual, previsivelmente, causaria impactes ambientais muito menos gravosos”, defende uma nota técnica de uma equipa do Instituto Superior Técnico (IST).
A nota técnica do IST, a que a Lusa teve acesso, estima que “o aproveitamento do actual espaço-canal da Linha do Sul” tem “menor extensão” e “menores custos de minimização de impactes ambientais e urbanísticos”, o que pode levar à “redução de custos” face à proposta da REFER.
A proposta da equipa, liderada pelo professor Costa Lobo, prevê um valor de obra de cerca de 100 milhões de euros, ou seja, menos 70 milhões do que “o custo estimado pela REFER (Rede Ferroviária Nacional)”.
A equipa do IST critica ainda a proposta da REFER, que considera representar um atentado “ao princípio da solidariedade regional”, um “atentado urbanístico” e “ecológico”, por “quebrar o ecossistema que vai da Serra de Grândola até à faixa costeira lagunar”, destruindo ainda “pinhal e montado”.
Estas são algumas das conclusões de uma nota técnica elaborada pela equipa do IST, que vão ser apresentadas hoje, numa reunião com a REFER, em Santiago do Cacém, promovida por uma comissão que se opõe ao traçado proposto por esta entidade.
A comissão integra as Câmaras Municipais de Beja, Grândola e Santiago do Cacém, o Núcleo Regional do Litoral Alentejano da Quercus e ainda a Associação Protectora do Montado Contra a Ferrovia Relvas Verdes – Grândola Norte.
Segundo os opositores à ligação ferroviária proposta pela REFER, o traçado em causa “retalha” os concelhos” de Grândola e de Santiago do Cacém, passa pelo “meio de aldeias” e “por cima de casas” e “obriga ao abate de milhares de sobreiros”.
A proposta, que vai ser apresentada na reunião de hoje à REFER, já havia sido sugerida em Julho, embora sem base técnica, pelo professor Costa Lobo, num debate que decorreu em Santiago do Cacém e em que participaram, para além das entidades envolvidas, dezenas de pessoas.
Costa Lobo, que coordena ainda os Planos Directores Municipais de Sines e de Santiago do Cacém, defendeu já nessa altura “a recuperação da linha existente entre Sines e Ermidas-Sado (Santiago do Cacém)”, “que segue para Beja”, opção defendida também pelos autarcas.
O director ambiental da REFER, João Morais Sarmento, que esteve presente nesse encontro, sublinhou que para a empresa “não há outra solução”, para além do traçado proposto que contorna a serra.
“Não temos mais nenhuma solução técnica, face àquilo que são os objectivos da ligação ferroviária Sines-Elvas, não conseguimos fazer com que os comboios atravessem a Serra de Grândola”, disse na altura, rejeitando que o aproveitamento da linha de Ermidas fosse uma solução.
AYN.
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